Aprendendo a ser mãe além do peito
No fundo eu já sabia que a gente não precisava mais do mamá embora gostássemos muito dele. No fundo eu sabia que seria melhor sem ele para todos nós a essa altura mas tudo acontece no tempo que tem que ser.
Fiz as nossas malas para o Brasil ainda decidida a seguir amamentando então deixei muitas roupas que não uso há 2 anos porque não facilitam a amamentação mas eu preferia usar as mesmas mudas de roupas por verões do que imaginar nossa relação sem o mamá. Há quem diga que é vício e podia até ser porque de fato o momento da amamentação nos trazia muito prazer: era a troca profunda de olhares enquanto seu pezinho se levantava, era vc mexendo em meus cabelos, era a nossa respiração profunda, o te amo que saía espontâneamente de mim seguido pela sua respiração profunda de satisfação. Tudo isso ficou gravado em mim e em você e ninguém jamais nos poderá tirar. Tudo isso é obra de Deus.
A minha decisão de parar se deu poucos dias antes da nossa viagem para o Brasil, nem me lembrei de refazer as malas com as roupas que poderia usar e só me dei conta disso ao chegar.
No avião, tive a primeira confirmação de que não precisávamos mais do mamá, pois você cresceu muito e já não se sentia mais confortável adormecendo em meu colo então levou 7 horas pra pegar no sono durante o vôo e só conseguiu dormir quando fiz uma caminha dos bancos que por sorte estavam livres. Após q chegar, com tanta gente pra te dar atenção e carinho você não passava nem 20 minutos sem chamar "mamãe, mamãe" o que na verdade significava "mamá, mamá" foi a gota D'Água pra eu entender que estava trazendo sofrimento e dependência. Vim te preparando para esse separação desde Portugal. Eu te dava o mamá mas dizia que não precisávamos mais dele e que seria melhor sem ele, que nunca o iria deixar e que o nosso amor continuaria. Chegamos no Brasil no dia de Natal e minha mãe já começou a insistir pelo desmame, muitos outros familiares também me deram essa força de várias maneiras e eu sou grata por cada um deles. Antes de ter tomado a decisão do desmame eu via pessoas que defendiam o meu desmame como inimigas de certa forma me colocando sempre na defensiva mas quando eu estava pronta eu fui completamente curada deste sentimento e entendi que elas também eram amigas, todas eram afinal.
Não quis iniciar logo o processo pois era período de festas (ano novo e meu aniversário) teríamos visita e pensamos que seria melhor esperar um momento mais tranquilo, então passou ano novo e a pressão da minha mãe recomeçou mas eu ainda não achava que era o momento certo porque o Bento estava fazendo um tratamento para expectorar os pulmões e eu queria esperar pelo menos uma semana nisso era 3 de janeiro. Passou, 4, 5, 6,7, 8 e no 9/01 a paciência da minha mãe se acabou e ela foi colher uma babosa pra eu passar no bico. Eu concordei com a técnica mas não achava que seria o momento ideal pois receberíamos visita no dia seguinte mas num ato de ansiedade generalizada eu passei o gelzinho da babosa em meu mamilo (experimentei antes, é amarguinho mas inofensivo) e a sua reação foi a mais linda e inesperada possível. Você ficou inconformado! Olhava e apontava para meu seio e dizia "mamãe, mamãe??" como quem pedia uma explicação para o ocorrido e eu respondia "sim filho, esse é o peito da mamãe" e então espontâneamente puxou minha blusa para cima cobrindo meu peito e disse "tchaaau" despedindo-se. Eu rapidamente o ofereci um suco e você começou a gritar "uco! uco!" Eu fiquei chocada com tamanha inteligência!
A partir de então não poderia voltar atrás. Já era fim de tarde, ele tentou mamar por mais duas vezes mas muito desconfiado então só tocava a ponta da língua e já desistia e eu o oferecia uma bolachinha ou um suco, tudo sem choro.
À noite teve muito choro como era de se esperar. Foi muito sofrida para todos o que também já era esperado. Minha mãe passou em claro e no dia seguinte estava com dores nos braços de ninar o nosso menināo de 15kg, minha irmã também estava muito cansada, ficou de apoio a noite toda, eu acordava com o choro e os seios doloridos e inchados mas não interferi pois quando eu me aproximava ele sabia que o mamá tinha amargado e se irritava profundamente, era pior.
No dia seguinte vi que precisava me entender com ele, percebi que ele estava me cobrando satisfação, ficamos a sós na sala com um copinho de suco que ele não queria aceitar, jogava o copo no chão, se jogava no chão, eu tentava acalentá-lo mas ele estava inconformado até que vencido pelo cansaço ele aceitou beber no copo em meu colo. Dei-lhe um forte abraço. Essa cena me marcou demais porque foi o primeiro ato simbólico do nosso aprendizado sem o peito. Eu pedi desculpas por tê-lo deixado passar a noite anterior sem mim e o prometi que nunca o iria abandonar. Quando chegou a noite e eu decidi que eu mesma o faria dormir. Preferi encarar de uma vez a situação pois no fundo meu medo em desmamar se dava por eu não saber ser mãe sem o peito. Precisava descobrir como iria fazê-lo dormir ou acalentá-lo de agora em diante e sigo aprendendo! Ainda ontem ele bateu o nariz na quina e veio em minha direção quando me peguei com as mãos em direção ao minha blusa para abaixar e dar o peito mas imediatamente me lembrei que de que de agora em diante terei de criar abraços, beijos e palavras de conforto para o amadurecimento da nossa relação. Da segunda noite em diante foi muito mais tranquilo, eu percebi que ele se sentiu seguro em ver que eu assumi o controle da situação e mesmo ele estando zangado eu estava lá o tempo todo! Mesmo com meus seios inchados e extremamente sensíveis e você se debatendo em meu colo. Doeu muito mas ao mesmo tempo foi muito gratificante acompanhar a sua evolução, a sua capacidade incrível de adaptação! Você passou a comer mais, dormir melhor e até a dormir sozinho. Foi uma libertação mútua! E para a minha surpresa você ainda chama a sua mamãe muitas vezes por dia o que me dá uma gratidão profunda por saber que eu ainda sou e sempre serei o seu porto seguro. Eu, não meu peito. Te amo filho.
Fiz as nossas malas para o Brasil ainda decidida a seguir amamentando então deixei muitas roupas que não uso há 2 anos porque não facilitam a amamentação mas eu preferia usar as mesmas mudas de roupas por verões do que imaginar nossa relação sem o mamá. Há quem diga que é vício e podia até ser porque de fato o momento da amamentação nos trazia muito prazer: era a troca profunda de olhares enquanto seu pezinho se levantava, era vc mexendo em meus cabelos, era a nossa respiração profunda, o te amo que saía espontâneamente de mim seguido pela sua respiração profunda de satisfação. Tudo isso ficou gravado em mim e em você e ninguém jamais nos poderá tirar. Tudo isso é obra de Deus.
A minha decisão de parar se deu poucos dias antes da nossa viagem para o Brasil, nem me lembrei de refazer as malas com as roupas que poderia usar e só me dei conta disso ao chegar.
No avião, tive a primeira confirmação de que não precisávamos mais do mamá, pois você cresceu muito e já não se sentia mais confortável adormecendo em meu colo então levou 7 horas pra pegar no sono durante o vôo e só conseguiu dormir quando fiz uma caminha dos bancos que por sorte estavam livres. Após q chegar, com tanta gente pra te dar atenção e carinho você não passava nem 20 minutos sem chamar "mamãe, mamãe" o que na verdade significava "mamá, mamá" foi a gota D'Água pra eu entender que estava trazendo sofrimento e dependência. Vim te preparando para esse separação desde Portugal. Eu te dava o mamá mas dizia que não precisávamos mais dele e que seria melhor sem ele, que nunca o iria deixar e que o nosso amor continuaria. Chegamos no Brasil no dia de Natal e minha mãe já começou a insistir pelo desmame, muitos outros familiares também me deram essa força de várias maneiras e eu sou grata por cada um deles. Antes de ter tomado a decisão do desmame eu via pessoas que defendiam o meu desmame como inimigas de certa forma me colocando sempre na defensiva mas quando eu estava pronta eu fui completamente curada deste sentimento e entendi que elas também eram amigas, todas eram afinal.
Não quis iniciar logo o processo pois era período de festas (ano novo e meu aniversário) teríamos visita e pensamos que seria melhor esperar um momento mais tranquilo, então passou ano novo e a pressão da minha mãe recomeçou mas eu ainda não achava que era o momento certo porque o Bento estava fazendo um tratamento para expectorar os pulmões e eu queria esperar pelo menos uma semana nisso era 3 de janeiro. Passou, 4, 5, 6,7, 8 e no 9/01 a paciência da minha mãe se acabou e ela foi colher uma babosa pra eu passar no bico. Eu concordei com a técnica mas não achava que seria o momento ideal pois receberíamos visita no dia seguinte mas num ato de ansiedade generalizada eu passei o gelzinho da babosa em meu mamilo (experimentei antes, é amarguinho mas inofensivo) e a sua reação foi a mais linda e inesperada possível. Você ficou inconformado! Olhava e apontava para meu seio e dizia "mamãe, mamãe??" como quem pedia uma explicação para o ocorrido e eu respondia "sim filho, esse é o peito da mamãe" e então espontâneamente puxou minha blusa para cima cobrindo meu peito e disse "tchaaau" despedindo-se. Eu rapidamente o ofereci um suco e você começou a gritar "uco! uco!" Eu fiquei chocada com tamanha inteligência!
A partir de então não poderia voltar atrás. Já era fim de tarde, ele tentou mamar por mais duas vezes mas muito desconfiado então só tocava a ponta da língua e já desistia e eu o oferecia uma bolachinha ou um suco, tudo sem choro.
À noite teve muito choro como era de se esperar. Foi muito sofrida para todos o que também já era esperado. Minha mãe passou em claro e no dia seguinte estava com dores nos braços de ninar o nosso menināo de 15kg, minha irmã também estava muito cansada, ficou de apoio a noite toda, eu acordava com o choro e os seios doloridos e inchados mas não interferi pois quando eu me aproximava ele sabia que o mamá tinha amargado e se irritava profundamente, era pior.
No dia seguinte vi que precisava me entender com ele, percebi que ele estava me cobrando satisfação, ficamos a sós na sala com um copinho de suco que ele não queria aceitar, jogava o copo no chão, se jogava no chão, eu tentava acalentá-lo mas ele estava inconformado até que vencido pelo cansaço ele aceitou beber no copo em meu colo. Dei-lhe um forte abraço. Essa cena me marcou demais porque foi o primeiro ato simbólico do nosso aprendizado sem o peito. Eu pedi desculpas por tê-lo deixado passar a noite anterior sem mim e o prometi que nunca o iria abandonar. Quando chegou a noite e eu decidi que eu mesma o faria dormir. Preferi encarar de uma vez a situação pois no fundo meu medo em desmamar se dava por eu não saber ser mãe sem o peito. Precisava descobrir como iria fazê-lo dormir ou acalentá-lo de agora em diante e sigo aprendendo! Ainda ontem ele bateu o nariz na quina e veio em minha direção quando me peguei com as mãos em direção ao minha blusa para abaixar e dar o peito mas imediatamente me lembrei que de que de agora em diante terei de criar abraços, beijos e palavras de conforto para o amadurecimento da nossa relação. Da segunda noite em diante foi muito mais tranquilo, eu percebi que ele se sentiu seguro em ver que eu assumi o controle da situação e mesmo ele estando zangado eu estava lá o tempo todo! Mesmo com meus seios inchados e extremamente sensíveis e você se debatendo em meu colo. Doeu muito mas ao mesmo tempo foi muito gratificante acompanhar a sua evolução, a sua capacidade incrível de adaptação! Você passou a comer mais, dormir melhor e até a dormir sozinho. Foi uma libertação mútua! E para a minha surpresa você ainda chama a sua mamãe muitas vezes por dia o que me dá uma gratidão profunda por saber que eu ainda sou e sempre serei o seu porto seguro. Eu, não meu peito. Te amo filho.

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